sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cafeínado, 3pm

Eu bebo copos e copos de café em salas ar condicionadas
Em tardes estúpidas e ensolaradas aguardando ansiosamente por
Temporais anunciados no céu
E então devidamente cafeinado eu me proponho a escrever
Escrever para poder respirar
Por não saber chorar

E assim passam-se os dias e a cada dia um pouco melhor
Talvez
Eu sofro calado, um pouco morto um pouco derrotado,
Mas assumir jamais
Bandeira branca eu quero paz! – quanta balela
A paz não existe enquanto existe dentro tanta guerra

E quem sou senão um corpo que resiste

Como limite ao turbilhão interior
Hormônios? Seqüelas? Ardor?

O que é o amor?
Existe o amor?

E os planos
Ah meus planos
Pai de meus desenganos
Malditos planos

Que me deixam perdido
Nessa suposição de que existe o futuro e o pior que o futuro
Só o futuro do pretérito

Seria, Teria, Foderia, Iria, Gozaria.
E eu que não agüento o momento
Acabo não sendo
Não tendo
Não fodendo
Não indo e não gozando a não ser sobre gente que não vale a pena

Tamanha frustração que me coloca a nocaute
Rouba-me a capacidade criativa
Pondo-me inútil, impotente e carente ante a vida
Em tanta conjugação sofrida

Eu quase me submeto ou quase não
E se sim, não por muito tempo
Pois para reinar sobre o tempo
Basta saber-se atemporal

E então mesmo estando assim tão mal
Eu acho uma saída
No sitio do pica-pau de minha vida
Pirlimpimpim e eis aqui

A minha ressurreição
Como um fênix ponho-me novo
Um pouco ainda mais abstrato
Mas não serei eu assim
Mais apto...

Pela lei da sobrevivência
Neste mundo cada vez mais sem sentido

A manter-me são?

Drigo

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